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Benefícios da suplementação de zinco em bezerras recém-nascidas

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A diarreia é uma enfermidade frequente nas fazendas leiteiras do Brasil, sendo comum que ocorra pelo menos uma vez nos bezerros recém-nascidos de todo o rebanho. Essa ocorrência, apesar de comum, prejudica o desenvolvimento do animal quanto ao ganho de peso, absorção de nutrientes e também altera a resposta imune, o que prejudica sua futura produtividade. Entretanto, a administração de antibióticos para amenizar o problema tão precocemente pode gerar uma resistência indesejada no tratamento das futuras vacas, e há países, como o Reino Unido, que já possuem restrições quanto ao uso dos mesmos.

Para tentar solucionar o problema das diarreias, Chang et al. (2020) conduziram um experimento na China, em que foram administradas diferentes formas de zinco para estudar seu efeito sobre o crescimento, a incidência de diarreias, a função imune e a microbiota retal de bezerras de raça Holandesa. O estudo oferece uma base para o uso racional de suplementação de zinco na dieta de bezerras leiteiras e pode ajudar a reduzir o uso de agentes antibacterianos.

O estudo teve como base as propriedades do zinco, pois ele participa de processos biológicos benéficos e tem sido considerado um efetivo anti-inflamatório e antidiarreico, e melhora a função imune, reduzindo o número de bactérias patogênicas e aumentando a abundância relativa da flora microbiana gastrointestinal dos bovinos. O papel antidiarreico do zinco envolve a regulação do transporte de fluidos intestinal e integridade da mucosa, além da modulação de estresse oxidativo.

Foram testadas duas fontes de zinco: inorgânico (óxido de zinco – ZnO) e orgânico ligado à metionina (Zn-Met). Por causa do impacto ambiental do zinco, o Ministério da Agricultura da China baniu a suplementação alimentar com altos níveis deste elemento em 2017, o que motivou ainda mais os estudos para a diminuição das concentrações fornecidas aos bezerros e vacas.

Trinta bezerras recém-nascidas de raça Holandesa foram divididas em três grupos de 10 animais cada, no qual um dos grupos foi o controle, o segundo grupo recebeu suplementação de zinco inorgânico (ZnO) e o terceiro recebeu zinco orgânico (Zn-Met) em mesma quantidade relativa de zinco, ambas diluídas em leite. Os animais foram monitorados nas duas primeiras semanas de vida, do dia 1 ao dia 14.

Para o estudo, a incidência de diarreia foi calculada pela seguinte fórmula:

suplementação bezerras leiteiras diarreia

O presente estudo mostrou que a suplementação com Zn-Met foi a que mais aumentou o ganho médio de peso (GMD) das bezerras nas primeiras semanas de vida. A relação consumo/ganho no grupo Zn-Met tendeu a ser menor, provavelmente pela maior biodisponibilidade do Zn-Met, que é um quelante de metionina e zinco. A metionina é um dos principais aminoácidos promotores de crescimento em ruminantes e tem um importante papel no metabolismo animal. Observou-se que a adição de Zn-Met reduziu a incidência de diarreia durante todo o estudo e a suplementação de ZnO reduziu a diarreia nos primeiros 3 dias de vida. Isso sugere que uma administração controlada de zinco reduz um grande problema, recorrente entre os bezerros de fazendas leiteiras.

Foram também avaliados os anticorpos dos animais e a concentração de IgG no grupo ZnO foi maior que a do grupo controle, assim como o IgM. No entanto, essa diferença não foi encontrada no grupo Zn-Met. Não houve mudança na concentração de IgA em nenhum dos grupos. IgG é o anticorpo mais abundante no plasma sanguíneo, responsável pela imunidade por imediação humoral. O IgM é o primeiro a aparecer em respostas imunes e infecções e o IgA é o principal anticorpo de secreções exócrinas. Mais uma vez, o zinco se comprova eficaz, desta vez no aumento de imunidade. A suplementação com zinco aumenta a resposta imune dos bezerros por aumento da concentração do IgG e a administração de doses baixas de ZnO se mostrou superior às mesmas doses de Zn-Met com relação à função imune de bezerros de leite.

Houve uma mudança quanto à abundância relativa de bactérias da composição da microbiota retal. AProteobacteria é uma bactéria Gram-negativa produtora de endotoxinas que podem levar a uma resposta inflamatória intestinal crônica, sendo um indicativo de desbalanço na microbiota intestinal quando sua concentração é abundante. O estudo mostrou que a administração de ZnO pode inibir a reprodução daProteobacteria. Além disso, houve um aumento de Bacteoidetes neste mesmo grupo, o que é benéfico, pois inclui interações com o sistema imune, ativando as respostas mediadas por células T, além de geralmente produzir butirato, que tem propriedades antineoplásicas (reduzem a incidência de câncer) e ajuda a manter o intestino saudável.

A Actinobacteria é amplamente usada como antibiótico, antifúngico, anti-câncer e anti agentes parasitários. No presente estudo, a maior população de Actinobacteria foi encontrada no grupo Zn-Met.Faecalibacterium age como antibiótico natural e probiótico, amplamente usado na medicina e engenharia de alimentos. É uma das bactérias produtoras de butirato, mais abundantes no trato gastrointestinal, e ainda pode inibir a produção de bactérias patogênicas como E. coli e Salmonella. No estudo, ambos os grupos apresentaram maior abundância de Faecalibacterium no dia 7, além de correlacionar positivamente com o GMD no dia 14, mostrando que uma suplementação de zinco melhora a saúde dos bezerros, alterando a composição dos microrganismos retais. Esses foram só alguns exemplos demudanças positivas no trato gastrointestinal, sendo comprovados também com todas as outras bactérias do estudo.

A incidência de diarreias no grupo controle flutuou entre 20 e 34,29%, enquanto no grupo ZnO não houve diarreia até o terceiro dia de vida e Zn-Met diminuiu a incidência de diarreia durante todos os 14 dias estudados, reduzindo-a para 14,7%.

Dessa forma, o óxido de zinco reduz a incidência de diarreia nos primeiros 3 dias de vida, além de aumentar os níveis de IgG e IgM durante as duas primeiras semanas do animal. Em suma, a recomendação é que seja administrado ZnO durante os primeiros 3 dias de vida do bezerro, seguido imediatamente pelo Zn-Met a partir do dia 4.

Fonte: MilkPoint