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Cana-de-açúcar: La Niña pode continuar desfavorecendo lavouras no Centro-Sul, vê Cepea

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As lavouras de cana-de-açúcar do Centro-Sul do Brasil podem continuar sendo desfavorecidas pelo clima em meio chances de cerca de 70% de ocorrência do fenômeno La Niña durante a primavera no Brasil, que vai até dezembro, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea, da Esalq/USP).

“Portanto, as chuvas devem continuar abaixo da média no Sul do Brasil, bem como em algumas áreas de SP e Mato Grosso do Sul. Por outro lado, nas regiões Centro-Oeste e Norte do país, as chuvas podem ser superiores à média”, destacou o centro em nota mensal divulgada nesta segunda-feira (04).

Com isso, as atenções para os impactos climáticos na safra já se voltam para a nova temporada de cana-de-açúcar (2022/23), que começará oficialmente na região Centro-Sul apenas em abril do ano que vem. Além disso, a safra atual deverá terminar mais cedo do que o habitual em meio impacto climático dos últimos meses.

“A atual safra (2021/22), que vem sendo marcada por fortes estiagens e geadas em algumas regiões brasileiras, pode terminar mais cedo do que o normal, prolongando a entressafra, o que pode sustentar os preços do açúcar nos próximos meses”, destacou o centro.

A Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil (Orplana) estima que a produção de cana na atual temporada recue 10,31%, sobre cerca de 600 milhões de toneladas em 2020/21, e uma quebra na próxima já é estimada em 11,25%.

“O desafio maior [na nova temporada] é a falta de muda, projetando para o plantio uma retração de 15,39%, já para a soqueira estima-se uma retração em torno de 11,47%”, explicou a analista de indicadores da Orplana, Cristina de Jesus Saipp.

Os preços dos derivados da cana-de-açúcar atingiram níveis recordes no mercado interno nos últimos meses. No dia 23 de setembro, por exemplo, o Índice Cepea/Esalq para o açúcar cristal atingiu pico de R$ 145,46 na saca de 50 quilos, um recorde nominal na série do Cepea iniciada em 1997.

Segundo a Orplana , os preços de venda da cana no mercado spot chegam a ser de R$ 150 a R$ 160 por tonelada nas regiões em que há quebra maior de safra.

Já no cenário internacional, as cotações do açúcar bruto caíram na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) no final de setembro em meio recente valorização do dólar norte-americano frente ao real, segundo o Cepea. No entanto, a tendência ainda é de alta para os preços.

“Com a recuperação do mercado indiano, a oferta de açúcar para exportação diminuiu; além disso, a produção de açúcar tem sido baixa no Brasil. Segundo a Unica, na atual safra (2021/22 – início de abril a 1º de setembro), 53,73% da cana processada foi destinada à produção de etanol e 46,27% à produção de açúcar”.

Por:Jhonatas Simião
Fonte:Notícias Agrícolas