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Carne: embaixador da Argentina diz que exportação deve ser retomada

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Governo argentino suspendeu os embarques por 30 dias alegando ser necessário para conter alta de preço no mercado interno

O embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Scioli, disse na quinta-feira, 20, a executivos da Marfrig Global Foods esperar que as exportações de carne bovina do país vizinho sejam retomadas “em breve”. A informação foi dada à reportagem pela assessoria da Marfrig.

No começo da semana, o governo da Argentina anunciou a suspensão de exportação de carne bovina por 30 dias. Segundo a administração pública, a medida foi necessária para conter o avanço dos preços do produto no país.

O Ministério do Desenvolvimento Produtivo informou também que este período de suspensão poderia ser reduzido caso a “adoção das medidas assinaladas gere resultados positivos”, conforme dito pelo presidente argentino aos representantes do setor.

Efeitos no mercado de carne

Para o professor de economia da Universidade de São Paulo (USP) Celso Grisi, a medida do governo argentino é ineficaz. “Essas experiências já foram vividas em vários países do mundo e se mostram absurdamente ineficazes. Você desorganiza o setor”, diz.

O comentarista Benedito Rosa lembra que, em 2006, o governo argentino adotou essa medida por 30 dias e prorrogou por outros 30. “O que aconteceu na época e deve acontecer agora: haverá um aumento de oferta de carne e o preço cairá nas próximas semanas, mas depois o preço volta a subir e os criadores de gado estarão mais uma vez desencontrados”, explica.

Entretanto, para os pecuaristas brasileiros, esse cenário é muito positivo. “A Argentina é um player expressivo no mercado internacional e supre grandes necessidades proteicas da China. Com essa medida, há mais espaço para o produto brasileiro”, completa Grisi.

No ano passado, de toda a proteína importada pelos chineses, 20% saiu da Argentina, segundo a diretora da Agrifatto, Lygia Pimentel. No mercado externo, os argentinos respondem por 7,5% do comércio.

“Muito provavelmente a China terá que intensificar as compras do Brasil para substituir uma parte da Argentina. Devemos enxergar isso com bons olhos, sim, para o produtor, e com maus olhos do ponto de vista inflacionário para o Brasil”, diz, citando possível encarecimento da proteína no país.

Se a medida do presidente Alberto Fernández perdurar por mais de 30 dias, os efeitos sobre a pecuária da Argentina podem ser bastante negativos, na avaliação da Agrifatto. O chefe de Estado alegou que precisava restringir os embarques para conter os preços da carne no país. Para Lygia, isso só vai causar mais problemas.

“O problema neste momento é de oferta, tanto que o preço da carne não está subindo só na Argentina, mas no mundo todo. Os preços precisam remunerar o produtor para ele investir na atividade e, posteriormente, os preços se adequarem”, comenta.

Fonte: Canal Rural