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Agrishow 2022: feira encerra com R$ 11,2 bilhões em negócios, mas organização cita impacto da elevação de custos

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Valor é referente a operações com máquinas, irrigação e armazenagem. Evento de tecnologia agrícola do país recebeu, em 2022, 193 mil pessoas em cinco dias em Ribeirão Preto, SP, maior número da história.

A Agrishow 2022 fechou um total de R$ 11,2 bilhões em negócios e superou em 286,2% o volume registrado em 2019, segundo balanço divulgado pelos organizadores do evento nesta sexta-feira (29) em Ribeirão Preto (SP) e meio à elevação dos custos de insumos e logística.

O valor é referente a operações com máquinas, irrigação e armazenagem, mas a divisão dos dados por setor não foi divulgada.

Em coletiva de imprensa na tarde desta sexta, o presidente da feira, Francisco Maturro, destacou que os números são expressivos, mas ponderou que análise precisa levar em consideração todos os componentes que envolvem a negociação.

“Esses números, que são gigantescos, também tem que fazer uma comparação e uma parametrização diferente. Nós tivemos, durante três anos, uma total desorganização da cadeia de suprimentos, de componentes de máquinas agrícolas e matérias primas. Então isso elevou os custos e, consequentemente, elevam os preços. Outra coisa, nós temos uma total desorganização no tráfego marítimo, que também alteram preços, e a outra ponta nós temos máquinas hoje com muito mais tecnologia embarcada que tínhamos há três anos. Quando mais componente você põe, quanto mais você adiciona, mais aumenta o preço”.

De acordo com o presidente Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas (CSMIA), Pedro Estevão Barros, os recursos utilizados para as movimentações financeiras foram de outras fontes, não do Plano Safra 20221/22.

Nesta quinta-feira (28), O Congresso Nacional aprovou um projeto que abre crédito de R$ 2,6 bilhões para o governo federal recompor despesas obrigatórias consideradas subdimensionadas durante a tramitação do Orçamento de 2022.

O projeto inicial previa recomposição de R$ 1,7 bilhão do orçamento. O governo, no entanto, ampliou em R$ 868,5 milhões o pedido de abertura de crédito para pagar despesas do plano, cuja previsão é de liberar R$251,2 bilhões para pequenos, médios e grandes produtores rurais.

“Plano Safra na Agrishow praticamente não existiu. São recursos fora do Plano Safra”, afirmou.

Melhorias no acesso

Com movimento recorde, entre segunda-feira (25) e esta sexta-feira, 193 mil visitantes passaram pela feira, que teve cerca de 800 marcas expostas em uma área de 520 mil metros quadrados.

Durante a coletiva, a organização também afirmou que conversa com a prefeitura e o governo do estado para aumentar as vias de acesso à Agrishow pela Rodovia Prefeito Antônio Duarte Nogueira (SP-322), no Anel Viário Sul para a edição de 2023, marcada para começar no dia 1º de maio e terminar no dia 5.

O prefeito de Ribeirão Preto, Duarte Nogueira (PSDB), disse que na próxima semana tem reuniões agendadas com a concessionária Entrevias, a Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) e o Departamento de Estradas e Rodagens (DER) para discutir soluções para o trânsito.

“Nós temos sete entradas, mas temos um funil de saída, de apenas uma saída, criou um transtorno muito grande. Trouxe desassossego por parte de muitos dos nossos visitantes, mas é um bom problema que queremos resolver para a próxima edição. Seria ruim se tivesse menos público (…) A gente tem a entrada pelo Anel Viário Sul. A ideia é a gente trabalhar uma saída e entrada também pela Mário Donegá, que poderá ser aberta e funcionará durante os cinco dias da Agrishow do ano que vem para não dar problema de trânsito”.

Ainda de acordo com o prefeito, a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) informou que o setor teve aumento de 30% no movimento e no faturamento durante a Agrishow e a rede hoteleira registrou 100% de ocupação nos 17 mil leitos disponíveis, além de impactos positivos para cidades vizinhas também.

mpresas comemoram faturamento

Diretor presidente da Baldan, Celso Antonio Ruiz estima um faturamento 200% acima do registrado na última edição da Agrishow em 2019. A variação, segundo ele, considera a correção dos preços, mas também um ganho de volume de negócios impulsionado por uma maior capitalização dos produtores rurais, beneficiados pela elevação nos preços de commodities como milho e soja.

“Evidentemente que nesse período tudo subiu. O aço subiu, o maquinário subiu, então você tem uma composição de preço, mas também um aumento no volume”, diz.

Essa maior busca por investimentos em tecnologias atualizadas, analisa o diretor, já vinha sendo observada há dois anos, mas a volta da feira presencial também foi um apelo importante para os negócios. Para este ano, a empresa com sede em Matão (SP) apresentou 130 produtos voltados para implementar equipamentos voltados ao preparo de solo, plantadeiras, graneleiros e pulverização.

“A única diferença é que eles vieram para ver o que tinha de novidade, porque eles não pararam de fazer negócio”, diz.

No estande da Globus, especializada em painéis de controle e toda parte de automação de máquinas agrícolas, o representante comercial técnico Mateus Spatt Pereira registrou um movimento 20% maior na visitação com relação a 2019.

Os potenciais clientes, que não são usuários finais, são fabricantes que buscam soluções para conforto de cabines como acionamento do ar condicionado, iluminação, limpadores, controle de motores, sistema de partida, faróis, entre outras.

“Como nossa empresa trabalha muito com desenvolvimento e projetos, a gente não tem vendas diretas. Normalmente a gente abre muitos negócios que a gente vai desenvolver o projeto e vai terminar fazendo vendas. (…) O cliente é o fabricante de cabine, é a indústria que fabrica bomba de irrigação, é o fabricante que produz máquinas agrícolas”, explica.

Tecnologia e agricultura de precisão marcam feira

Com uma demanda representada a ser apresentada na Agrishow por conta de dois adiamentos seguidos devido ao coronavírus, a feira neste ano foi considerada uma das mais tecnológicas pelos organizadores.

Entre o maquinário exposto, destacaram-se as supermáquinas, tanto pela grandiosidade quanto pelo potencial, sustentabilidade e assertividade.

Exemplos com essas características são uma plantadeira com motor a diesel e gerador acoplado, que aciona os motores elétricos montados um em cada uma das quatro rodas, de forma independente, e um trator que utiliza gás metano como combustível a partir de resíduos orgânicos de animais da própria produção.

Segundo dados da Conectaragro, associação criada entre empresas de máquinas, telefonia e produtores rurais visando viabilizar a internet 4G no território rural brasileiro, cerca de 70% das propriedades rurais no Brasil ainda não têm acesso à internet.

Apesar dos entraves, o desenvolvimento de tecnologias para o meio rural não pararam e as empresas se mostraram cada vez mais preparadas para o campo conectado.

A Agrishow também apresentou aos visitantes soluções que economizam recursos e que pouco impactam o meio ambiente, como o drone, equipamento que se mostra cada vez mais eficaz quando o assunto é agricultura de alta precisão nas lavouras brasileiras, robôs comandados por inteligência artificial e utilização de energia solar fotovoltaica, que cresceu 83,7% no meio rural.

Fonte: G1

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